A construção de reputações por meio das redes sociais

A vivência nas redes sociais tem revelado os modos com que as pessoas se apresentam aos outros. Perfis de Orkut, Facebook, Twitter, Formspring…, cada qual com sua funcionalidade e atrativos específicos, são interface de uma identidade construída de si mesmo para o mundo. Até mesmo aqueles usuários que fantasiam falar idiomas como Swahili, Yu e Islandês, e outros que satirizam a si mesmos em marcar “feminino” quando é masculino, por exemplo, produzem uma imagem de si para os outros, que também entraram naquele mundo de códigos.

O compartilhamento desses códigos estabelece um mar que permite o fluxo de valores da nossa socieade. A “representação do eu” que se dá na sociedade além-internet se faz em querer-se mostrar “rapaz de bem”, “bom esposo”, “malandro”, “pegador”, “popular”, “diferente”, “requisitado”, “blasé”, “pessoa de sucesso”… A lista é sem fim. Na internet, a criação dessa identidade-para-o-mundo se faz com a divulgação de informações pessoais, atreladas à veiculação de vídeos, fotografias, gostos musicais e referências a lugares.

Pode-se usar as redes para buscar contato entre amigos e se divulgar entre seus amigos: uma viagem à Europa, o filho que você e sua esposa estão esperando, o novo emprego, o parente que faleceu. Tem seu grau de importância o desejo de se mostrar “bem”, “estável” e “promissor”. Nesse sentido, há, porém, aqueles que se fazem mais presentes nas redes sociais que outros. Existem aqueles que criam uma “autobiografia cotidiana” para ser divulgada entre seus ‘amigos’ e/ou ‘seguidores’, a depender da rede social. Dizer onde está, o que está a fazer, as últimas experiências, as pessoas que conheceu…

A construção de reputações está reforçada em todas as redes sociais. No Formspring, a de uma pessoa “livro-aberto”, “desencanada”, “engraçada”… No Facebook, a pessoa “dos contatos”, “das festas”, “das viagens”, “das belas citações”, “da vida movimentada”. No Twitter, as novidades do trabalho, as viagens, opiniões políticas, críticas à cidade, recomendação de links. Toda informação veiculada, divulgada na rede, contribui para agregar valor a uma reputação em construção. Os dados que alguém disponibiliza para que os outros tenham por base na formulação de uma opinião sobre ele. Como já se tornou um clichê, o importante é a rede social que se cria. Novos designers e fotógrafos divulgam entre seus contatos seus trabalhos publicados no Flickr, no Flavors; novos jornalistas mostram o quão são conectados com as tendências e quanto são críticos por meio do Twitter; agitadores culturais divulgam suas atividades e mantêm contatos por meio de blogs e Twitter; jovens estilistas usam o Flickr, se divulgam no Facebook e mantêm contatos no Twitter; jovens cineastas falam de seus trabalhos no Twitter e divulgam fotos no Facebook.

Alguns trabalhos e ofícios fazem mais demandas relacionais que outros. A um sociólogo não importa muito se ele divulga ou não a qual pé anda sua pesquisa no Twitter, porque pesquisas não estão pautadas nos critérios da rede social. Um sociólogo pode querer se mostrar conectado ou antenado por meio da internet, atrair visibilidade, mas a reputação do sociólogo se constrói mais por outros meios (Lattes, avaliação de projetos, editais, pontos da Capes), que comparado a um novo jornalista, por exemplo, que hoje busca criar para si um nome que não seja tão atrelado a um veículo de comunicação, mas que seja, nele mesmo, um valor. “Fulano de tal”, que tem comentários perspicazes, que tem um blog, que é bem conectado.

A inserção nas redes sociais – online e offline – requer um envolvimento pessoal, requer presença, ser visto, ser comentado. É preciso ter incorporado o perfil, os códigos daquele “mundo social” e, principalmente, ser capaz de distinguir e manusear os valores do mundo no qual se busca inserção. Porque “se queimar”, ter a reputação manchada, pode se dar num pequeno descuido, numa brecha para os que disputam consigo um espaço ao Sol. É preciso saber se apresentar.

inspiração: Erving Goffman, Frederick George Bailey, vivência nas redes sociais, conversas em padarias com amigos e conversas em carro com jornalistas.

« quick and dirty social analysis »

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