Talvez a caracterização mais sucinta da época que começa com a Primeira Guerra Mundial seja a famosa frase atribuída a Gramsci: “O velho mundo está morrendo, e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros”. O fascismo e o stalinismo não seriam os monstros gêmeos do século XX que nasceram, num caso, do esforço desesperado do velho mundo para sobreviver e, no outro, do esforço abastardado de construir o mundo novo? E os monstros que geramos agora, impelidos pelos sonhos tecnognósticos de uma sociedade com população biogeneticamente controlada? Devemos tirar todas as consequências desse paradoxo: talvez não haja passagem direta para o novo, pelo menos não da maneira que imaginamos, e os monstros surjam necessariamente em qualquer tentativa de forçar essa passagem.

Slavoj Žižek em “Primeiro como tragédia, depois como farsa”. Página 13 do Prefácio à edição brasileira. São Paulo: Boitempo, 2011.

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