O tempo dos monstros

Talvez a caracterização mais sucinta da época que começa com a Primeira Guerra Mundial seja a famosa frase atribuída a Gramsci: “O velho mundo está morrendo, e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros”. O fascismo e o stalinismo não seriam os monstros gêmeos do século XX que nasceram, num caso, do esforço desesperado do velho mundo para sobreviver e, no outro, do esforço abastardado de construir o mundo novo? E os monstros que geramos agora, impelidos pelos sonhos tecnognósticos de uma sociedade com população biogeneticamente controlada? Devemos tirar todas as consequências desse paradoxo: talvez não haja passagem direta para o novo, pelo menos não da maneira que imaginamos, e os monstros surjam necessariamente em qualquer tentativa de forçar essa passagem.

Slavoj Žižek em “Primeiro como tragédia, depois como farsa”. Página 13 do Prefácio à edição brasileira. São Paulo: Boitempo, 2011.

4 thoughts on “O tempo dos monstros

    1. Ele tem algumas análises bem pertinentes, mas ainda estou descobrindo o cara. Sigo cuidadoso, com doses homeopáticas, porque me há pouca beleza para cansar. ;)

  1. ômininohumilde!
    é que eu to meio poraquê dessa galere que vive mais de insight ensaísticos do que qualquer outra coisa.
    sem contar os gritos do meu lado analítcoquantitativista ainda por despertar.
    algo do tipo:
    “É UM EMBUSTE!”

    1. ahahahah É! Na disciplina de Métodos, vimos algumas técnicas quantitativas. Apesar da minha resistência inicial e da dificuldade da coisa toda, confesso que deu uma pequenina vontade de “give it a try one day”.
      Insight ensaístico… Te entendo demais. O próprio Zizek se alimenta dessa aura de pensador irrequieto, de cabelos bagunçados, e as pessoas mergulham junto aos “críticos do nosso tempo”. É importante conhecer, claro, mas fico pensando em como isso se traduz em modos de vida, em ações, em criações, em produção. É bacana desenvolver a semente da crítica, mas só ela não funciona, só traz desespero ou a ideia de que nada é bom o bastante se não for a “transformação total”. E as mudanças cotidianas? Novas ações e associações não são potencialmente transformadores? Enfim. Eu penso isso. Isso inclusive gerou discussão no curso de leitura sobre Capitalismo e Democracia. Caso tenha saco de ler, vai ao post “Exercício de pensar capital e modos de viver” deste blog e abre o link no Storify. Foi o meu trabalho para o curso. :)

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