Vez por outra, de bobeira na TV a cabo, deparo-me com as propagandas do curso de inglês online Open English. Ao menos 3 propagandas já foram veiculadas, criando uma historinha com dois personagens masculinos: um deles é estudante de inglês pelo curso online Open English e o outro é estudante de uma escola de idiomas presencial. Como toda propaganda que deseja vender um produto, para nos convencer de que a Open English é a melhor escola de inglês e das vantagens de fazer um curso de inglês online (com professores e estudantes que vão interagir com você via Internet, cada qual na sua casa) a Open English e a produtora Famigerada Filmes apelam para conexões de sentido e imagens. Veja você mesmo:

O estudante da Open English condensa as qualificações da sociedade: o rapaz é alto, forte, tem cabelo arrumado, feições do padrão de beleza, é moderno (com um laptop superfino no colo, sentado confortavelmente numa poltrona), e a professora de inglês dele é bonita – e loira. O estudante do curso de inglês presencial encarna o pária: o rapaz é baixo, magro, de cabelo bagunçado e enrolado, nariz grande, desajeitado e carrega uma pilha de livros – um artefato que tem sido vendido como démodé.

Para promover a escola online, vendem uma imagem, um estilo de estar e um modo de viver, associando elementos correntes de qualificação e contrapondo-os a elementos de desqualificação. Numa outra propaganda, os dois rapazes estão encarando o trânsito lento de uma grande cidade: o estudante da Open English dirige um carro conversível (reclamando do tempo que perde em deslocamento) e o estudante do curso presencial põe uma fita K7 num toca-fitas e fica a cantar “The Book is on the Table”, como se fosse um bom exercício para o aprendizado do idioma. Numa outra, os dois estão numa entrevista de emprego: o primeiro está superseguro de si, enquanto o outro só faz trapalhada. Só eu me incomodo com essa propaganda? É como o homem de sucesso deve ser e se portar.

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