O que é, o que é?

 

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O que é, o que é 2

“O que é, o que é? Toda a gente a pode ver e causar, mas ninguém pode vender ou trocar?”

A resposta é uma riqueza preciosa e compartilhada para uma terra de calor e sol.

Manter árvores frondosas de pé deveria ser a lógica mais senso comum de todas. O que é a sombra para quem anda a pé, senta na praça ou aguarda um ônibus chegar?

Materiais: papel ofício colorido, fita adesiva, linha, agulha, tesoura, papel manteiga

Fio mental: Palavra Libertária

Desde abril de 2012, quando comecei a fazer o que chamei de “ponteiros”, frases em tirinhas enroladas num palito, usei as mesmas tirinhas de papel em diversas ocasiões: em manifestação, zines, intervenção urbana. Desta vez, juntei o princípio do “ponteiro” a uma embalagem já utilizada de fio dental. Ao invés de fazer o descarte, tomei como outra coisa, com uma longa tira de papel que traz um trecho do livro Pedagogia do Oprimido, escrito por Paulo Freire. O resultado foi o ‘Fio mental: Palavra Libertária‘, um Objeto Zínico Não Identificado (OZNI) que coloquei pra circular no dia 6 de junho de 2014. Foram feitos dois.

Num primeiro momento:

fio dental para "fio mental".
de fio dental para “fio mental”.

E em vídeo -graças à Aleksandra da Nóbrega- e com uma rotulação de caneta permanente:

Leia Pedagogia do Oprimido em PDF.

improvável e cheio de vida

Numa calçada qualquer de Fortaleza, uma boa-noite brotava da moldura de uma caixa de registro, rente ao muro de uma casa.

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Duas semanas depois, passei pela mesma calçada e a boa-noite florescia ainda mais. Um local improvável assim, mas cheio de boas condições de vida, deve ser um bom local de encontros:

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Prazeres urbanos

Prazeres urbanos, um presente coletivo que contou com a participação de 14 pessoas para a criação de 18 frases que compartilham prazeres urbanos em Fortaleza, celebrando o aniversário de 288 anos da cidade. Cada pedaço de papel amarelo é uma frase.

@Parada de ônibus no Bosque Eudoro Correia/Praça das Flores, na av. Pe. Antonio Tomás.

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Afinal, o que é o PÚBLICO, né?

O posicionamento da Previdência Social de São Paulo, na matéria Artista invade prédio do governo paulista para fazer ateliê, publicada hoje, 8 de janeiro de 2013, na Folha de S. Paulo, me trouxe um grande incômodo.

Sobre o que se trata? Um imóvel, que pertence à Previdência Social de São Paulo, estava desocupado no bairro Butantã. Artistas adentraram, limparam, grafitaram os muros e passaram a ocupá-lo. A Previdência quer vender o lugar e diz que a presença dos grafiteiros se trata de “tentativa de privatização do espaço público”.
AMIGO, espaço PÚBLICO tem que ser PRATICADO, VIVIDO. Se o dito lugar tá fechado, ele tá privatizado para o vazio!

Se é pra fechar prédios de autarquias, de escolas públicas, postos de saúde, que seja para serem ocupados por quem não tem casa, por quem quer transformar em local de lazer, de aprendizagem, associação comunitária ou ONG! É um desperdício de espaço para tantas boas possibilidades que poderiam povoar nossas cidades.

escavações na selva de pedra #2

foto(2)Expandindo uma frase dos zine-objetos lançados em 2012, fiz o #2 do zine Escavações na selva de pedra na segunda quinzena de outubro de 2013.

Foram 20 exemplares feitos com papel kraft e ofício, com escritos à mão, no computador e na máquina de escrever, um pouco de tinta guache e amarração manual.

O #1 foi feito no começo de 2013, a partir de negativos de fotografia que encontrei jogados na calçada, perto da minha casa.

zinepanfletos

Contra remoções e despejos de comunidades pelas obras de megaeventos - Mãos de Wilma Farias; foto de Sabrina Araújo.
Zinepanfleto “Contra remoções e despejos de comunidades pelas obras de megaeventos” – Mãos de Wilma Farias; foto de Sabrina Araújo.

Para o ato A LUTA CONTINUA – ATO COPA PARA QUEM, que aconteceu em Fortaleza no dia 27 de junho de 2013, experimentamos zinepanfletos com algumas demandas do movimento para distribuir entre moradores da avenida Dedé Brasil, por onde o protesto seguiu.

Foi ação pequena, com apenas 15 zinepanfletos batidos na máquina de escrever horas antes do ato e cortados um a um. Eles levavam duas pautas do movimento: Cancelamento imediato do Acquario e da ponte estaiada no rio Cocó e Contra remoções e despejos de comunidades pelas obras de megaeventos. A ideia era levar as motivações a transeuntes e moradores que observavam o protesto. Cheguei perto de algumas pessoas com um “olá” e ofereci uma tira de papel: “Essa é uma das demandas do movimento”.

O Acquario Ceará, na Praia de Iracema, e a ponte estaiada sobre o rio Cocó são duas grandes e onerosas obras que o Governo do Estado do Ceará pretende construir em Fortaleza. Tendo a Copa do Mundo como desculpa, o Governo tem empreendido remoções de comunidades (mas a resistência é organizada) para construção de linha de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Carta aberta aos que acordaram

Olá, pessoal. Trago hoje aqui uma carta que circulou semana passada no Facebook sobre quem acordou e está descobrindo o poder de associar-se, de ir às ruas, de criticar e fazer demandas em protestos pelo Brasil. Mas isso não para por aí. Vamos à carta? Ela foi escrita pela professora Yvanna Guimarães, dia 21 de junho de 2013. Leia com carinho.

Carta aberta aos que acordaram

Primeiro de tudo, bom dia! Que bom que houve esse despertar coletivo de tanta gente ao mesmo tempo! Mas ao acordar, devemos nos perguntar: por que acordamos e para que acordamos? Percebe-se que existe um sentimento geral de insatisfação e uma sede de sair às ruas para fazer alguma coisa.

Sair às ruas é uma responsabilidade, é cidadania, é exigir seus direitos. Entretanto, antes de rumar com cartazes e palavras de ordem, é preciso debater, discutir, refletir e repensar muitas das nossas posturas. O que queremos exigir de um governo, de um país? As minhas palavras de ordem significam bastante e falam muito de todo o movimento. Portanto, se a maior parte dos meus “gritos” não insurge uma luta, não estou realmente fazendo nada de muito positivo pelo país. Gritar que sou brasileiro(a) com muito orgulho e com muito amor não muda a miséria das ruas, o genocídio dos índios, o desmatamento que ocorre no Cocó e em muitas outras áreas que deveriam estar protegidas e preservadas, a violência diária que as mulheres sofrem, a cura gay que acaba de ser trazida por Feliciano, nem a usina de Belo Monte que está acontecendo, e muito menos a dita corrupção de que tanto se reclama nas últimas manifestações.

Além disso, há de se tomar cuidado com um patriotismo cego que se tem desenvolvido nas movimentações dos protestos. Por que cantar o hino nacional? Por que usar roupas verdes e amarelas e pintar o rosto? Qual a razão do patriotismo? Orgulho infundado é algo perigoso, pois pode turvar a visão, e assim deixamos de enxergar pautas essenciais para caminhar para a mudança do país. Nenhuma mudança aconteceu porque estavam todos satisfeitos e felizes de serem quem eram, mas porque buscavam algo que faltava, ou lutar contra algo que incomodava.

Gostaria de parar um pouco e refletir sobre a corrupção. Em uma luta, para que se consiga algo, é necessário saber também as metas, o ponto X exato que se quer reivindicar com aquele protesto. Lutar contra a corrupção é o mesmo que lutar contra o crime, contra a violência, contra a fome. Como podemos fazer isso? Pensar em pautas claras, em metas cristalinas é um meio de exigir dos governantes exatamente o que queremos que seja mudado. É mais fácil pedir algo que já sabemos o que é ao invés de apontar pra um lado sem saber direito aonde chegar. Exemplifico: ao invés de lutar “contra a corrupção”, por que não lutar contra o financiamento de campanhas por parte de empresas? Ou, quem sabe, exigir que a Lei da Ficha Limpa seja estendida? Será que a PEC 37 vai realmente mudar alguma coisa pra ruim? *** Dessa forma, seremos práticos e saberemos melhor como encaminhar nossas manifestações, sabendo exatamente o que exigir.

É necessário também, ao participar de uma manifestação, de uma luta, de um protesto, refletir sobre qual papel exercemos na sociedade. Que privilégios eu tenho? Essa é uma luta só minha, só da minha classe social? Ou queremos direitos que serão de todos? Pedir por diminuição da carga tributária não beneficiará a todos do país, e muito menos aos que realmente, urgentemente precisam do básico: saúde, educação e transporte público.

Foquemos nossas pautas e lutas! Reflitamos e debatamos sempre para que, para além de um movimento que visa apenas ocupar as ruas e mostrar a voz de um povo que antes dormia, é um povo que agora adquire novas perspectivas e nova consciência social!

Ah, e muito importante. Saibamos ouvir quem luta há mais tempo que nós. As organizações sociais, tais como a Marcha de Mulheres, a UNE e a ANEL são apartidárias, mesmo que ainda participem delas muitas pessoas filiadas a partidos. Saibamos respeitar a existência de pessoas afiliadas a partidos portando bandeira. Esse foi um direito importante a ser conquistado: o de poder se organizar em partidos. Não confundamos as palavras “apartidário” e “antipartidário”.

O primeiro visa um movimento que não é representado por nenhum partido, mas que conta com a presença de quantos quiserem se colocar como participantes, e não líderes. O segundo tenta calar e censurar os partidos que querem participar do movimento como tais, que algo extremamente antidemocrático. É isso que queremos? Uma antidemocracia em favor de uma concepção errônea?

Para além da esperança que se tem ao pisar no asfalto e ocupar sua cidade, pense, reflita, debata. Sentir-se parte de algo grande e mobilizador é fantástico, porém, precisamos ter consciência dos porquês, das direções que queremos tomar e do que exatamente queremos reivindicar.

Está impulsionado pela luta? Agora, rumo à informação, reflexão e debate!
Para ler:
https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a
http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/06/21/e-em-sao-paulo-o-facebook-e-o-twitter-foram-as-ruas-literalmente/